Navegue pelo Blog O Mundo Sobrenatural onde o sobrenatural desafia a nossa compreensão e a ciência. O mundo é como um barco perdido no meio de um enorme oceano, cheio de ilhas secretas e enigmas a serem desvendados.
A palavra "Kraken" origina-se da etimologia: Crack (quebra) + Aquiém (aquém).
O Kraken, na antiguidade conotava um sentido de direção ou localização de um ponto dentro de uma fenda.
O Kraken era uma espécie de lula, que ameaçava os navios no folclore nórdico. Este cefalópode tinha o tamanho de uma ilha e cem tentáculos, acreditava-se que habitava as águas profundas do Mar da Noruega, que separa a Islândia das terras Escandinavas, mas poderia migrar por todo o Atlântico Norte. O Kraken tinha fama de destruir navios.
As histórias de Krakens tinham fundamento, tal como muitas outras histórias de seres fantásticos, numa má observação da fauna, no caso dos Kraken provavelmente em ataques de lulas gigantes ou lulas colossais. Um bom exemplo dessa teoria são as sereias, cujos responsáveis são os registos visuais de dugongos e focas de longe, em nevoeiros.
O Kraken era uma criatura tão temida pelos marinheiros quanto as ferozes Serpentes Marinhas.
Existem também, lendas de outras culturas que relacionam o Kraken a Lula Gigante, a qual dizia-se ser o grande erro do deus Posídon, o animal que foi rejeitado para ser o representante do mar, e pela vergonha, foi escondido pelo seu Deus criador nas extremas profundezas do oceano. Quando algo ou alguém se aproxima das profundidades de onde vive, ele relembra de seu fracasso e usa sua raiva para proteger o único “lar” o único lar cujo qual foi digno de ter, onde ele foi aprisionado para sempre. Do fundo do oceano, o mostro procriou e evoluiu, e uma parte de si esta presente nos olhos das pequenas lulas que conhecemos, as filhas da grande e real monstruosidade, a gigante que vigia o resto do mar e procura uma oportunidade para seu retorno.
Referências na cultura popular
No filme Piratas do Caribe: O Baú da Morte, o Kraken é um hediondo ser marinho, o monstro do pirataDavy Jones, que pode arrancar seu rosto e arrastá-lo para as profundezas abissais do mar com sua boca. Ele é invocado quando a tripulação de seu navio, o Holandês Voador, roda um volante com manípulos, que quando chega ao topo bate no casco, vibrando o mar e despertando o Kraken.
Há uma referência clara ao Kraken em Fúria de Titãs, filme de 1981 que tinha efeitos especiais convincentes na época, quando Perseu mata kraken, mostrando a cabeça da Medusa o transformando em pedra. Neste filme, que retrata algumas pinceladas da mitologia grega. O Kraken é o ser criado por Cronos com a finalidade de defende-lo quando presente na Terra, momento que ficaria fragilizado. Cronos (em grego: Κρόνος, deus do tempo, Χρόνος[1]) é a divindade suprema da segunda geração de deuses da mitologia grega e titã, correspondente ao deus romano Saturno. No remake de 2010, a criatura marinha tinha sido criada por Hades, sob o controle de Poseidon, foi enviado para destruir a cidade de Argos, caso o sacrifício da princesa Andrômeda não fosse atendido, porém Perseu interveio, como aconteceu na primeira versão do filme, petrificando-o com a cabeça da Medusa, acabando com a maldição de Hades.
O ser mitológico também aparece num episódio do desenho animado Padrinhos Mágicos, no qual Cosmo (uma das fadas e personagens principais do programa) é julgado por ter afundado Atlântida (9 vezes). E Ben 10 um monstro que queria proteger os ovos de Jonah Melvile também em Cavaleiros do Zodíaco o general marina do Oceano Ártico, Isaac, é representado por Kraken. Júlio Verne também refere Kraken, por várias vezes, na sua obra Vinte Mil Léguas Submarinas. E em God of War 2 Kratos (o protagonista do jogo) enfrenta Kraken. A exploradora de tumbas Lara Croft, em Tomb Raider: Underworld, também encontra Kraken, que ficou preso em uma caverna submersa em Niflheim.
O Kraken foi um monstro marinho muito usado na cultura popular, inclusive muitas informações, principalmente vindo de filmes, e séries que o usam lendas, como o filme Fúria de Titãs[qual?]. Ele também aparece no jogo Age of Mythology como uma unidade mítica marinha nórdica e com o nome científico Psychroteuthis Pelagii. Também é um Monstro Chefe do RPG Earthbound, e do Action RPG Dragon's Crown (Atlus).
No Mangá/Anime One Piece, o Kraken apararece enquanto a tripulação dos Chapeu de Palha está a caminho da Ilha dos Tritões. Após ser derrotado por Luffy, o Kraken (que recebe o nome de Surume) é domesticado por ele para ajudar a guiar o navio
Na expansão Ilha Paradisíaca do jogo de simulação de vida real, The Sims 3, se encontra presente no mar o Kraken, que tem por função atacar barcos.
Kraken também faz uma aparição no jogo de Action/RPG The Last Story, como chefe em duas missões alternativas, na primeira aparece como um polvo negro, com olhos vermelhos e cujos tentáculos agarram personagens e os esmagam. Na última missão do jogo (também alternativa), Kraken aparece com uma coloração rosada, sendo o culpado pela contaminação da água.
O Kraken aparece na saga de George R. R. Martin, As Crônicas de Gelo e Fogo, posteriormente adaptada para a TV como a série Game of Thrones do canal HBO. Na história o Kraken é símbolo da Casa Greyjoy de Pyke, uma família nobre que controla um pequeno arquipélago, e são conhecidos como "Homens de Ferro".
O Kraken também é retratado como um monstro marinho das profundezas no livro A Viagem do Tigre, que faz parte da aclamada Saga do Tigre da autora Colleen Houck.
Na saga Harry Potter, o kraken aparece como a lula gigante residente no lago do castelo de Hogwarts. Aqui, ao invés de um monstro, aparece como uma criatura mágica gentil, nadando calmamente na superfície do lago e salvando estudantes de se afogarem.
No jogo Archeage o Kraken aparece no mar destruindo barcos e atacando jogadores.
As fadas são um dos seres mitológicos mais populares do mundo inteiro. Certamente suas características possuem variações em cada lugar do mundo, porém, sua essência é a mesma. O melhor exemplo está na cultura pop, pois essas lendas são representadas a todo momento no audiovisual e na literatura. Na maioria das vezes, esses seres mitológicos são usados para acalmar e encantar as crianças do mundo inteiro, principalmente as europeias.
Atualmente as fadas são associadas a características como simpatia, magia e proteção. Um exemplo é a Sininho, fada fiel na famosa história do Peter Pan. Apesar disso, sua origem remota de um tempo em que a natureza não era algo tão agradável.
Origem das fadas
Primeiramente é preciso deixar claro que a origem exata das fadas não é conhecida. Na prática, o que existem são teorias que tentam explicar sua origem.
O mais aceito é que a origem das fadas remonta à mitologia grega, em parte herdada pelos romanos. Inicialmente elas eram conhecidas como as protetoras da natureza,. Além disso, eram conhecidas como criaturas fantásticas que interagiram com os seres humanos, completamente relacionadas ao destino.
No norte da Europa, esses seres conhecidos como lumens da natureza, andavam lado a lado no mundo mitológico com goblins, gnomos e goblins.
Na mitologia mais próxima dos tempos atuais, as fadas pertenciam ao submundo. Consequentemente elas estiveram junto a crença do ser humano na vida além da morte. Esse mito só desapareceu com o surgimento da ciência.
Na Idade Média, elas apareceram também nos livros de cavalaria. Consequentemente, elas deixaram o submundo para se tornarem damas aristocráticas.
William Shakespeare transformou as fadas em seres pequenos, voadores e etéreos. Uma imagem muito apreciada por outros dramaturgos, e que está próxima da que conhecemos hoje em dia.
Os estudos de Robert Kirk asseguraram que o tamanho das fadas se devia à crença de que a alma era replicada em miniatura do corpo humano. Essas almas viviam nas proximidades dos túmulos, esperando para se encontrar com seus corpos no Dia do Juízo Final.
Hierarquia do mundo invisível
Teosofia é um conjunto de doutrinas místicas, ocultistas e especulativas que buscam o conhecimento dos mistérios presumidos da vida e da natureza. Segundo ela os espíritos da natureza são categorizados hierarquicamente.
Primeiramente os anjos ou Devas. Estes são seres luminosos inteligentes que agem como orientadores da Natureza e supervisores dos espíritos de menor importância. Além disso, em seguida vem os Elementais, Espíritos da Natureza ou Fadas. Eles são espíritos dos quatro elementos.
Elementais do ar
Primeiramente eles são divididos em fadas das nuvens e fadas das tempestades. As primeiras vivem nas nuvens, são dotadas de elevada inteligência e sua principal atividade é transferir luz para as plantas. Além disso elas são protetoras e guias dos homens e animais. As fadas das tempestades também possuem grande energia e circulam sobre as florestas e ao redor dos picos das montanhas.
Elementais da terra
Inicialmente essa classe engloba gnomos, criaturas pequenas que vivem no interior da terra. Já os kobolds são mais amigáveis e prestativos para os humanos. Os gigantes são entidades enormes que costumam estar ligados à montanhas, embora também possam viver em florestas antigas. Finalmente, os Devas da Montanha, são os elementais da terra mais evoluídos, entidades que permeiam e trabalham com uma montanha ou uma cadeia inteira de montanhas.
Elementais do fogo
As salamandras ou espíritos do fogo, habitam o subsolo vulcânico, os relâmpagos e as fogueiras. São mais poderosas que as fadas dos jardins, mas estão mais distantes da humanidade também. São espíritos de transformação, responsáveis pela conversão de matéria em decomposição em solo fértil.
Elementais das águas
Representados pelas ninfas, ondinas, espíritos das águas e náiades. Elas são responsáveis por retirar energia do sol para transmiti-la à água.
As ninfas regulam o fluxo da água na crosta terrestre e dão personalidade e individualidade a locais aquáticos. Podem assumir a forma de peixes, os quais protegem. As ondinas parecem estar restritas a determinadas localidades, sendo responsáveis pelas quedas d’água e a vegetação circundante.
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Na Mitologia Grega, são seres metade mulher e metade peixe (ou pássaro, segundo alguns escritores antigos) capazes de atrair e encantar qualquer um que ouvisse o seu canto.
Elas participam da lenda de Odisseu e dos Argonautas, em ambos os casos eles resistiram ao seu canto. Os argonautas, por causa da música de Orfeu, e Odisseu por causa do conselho recebido de ser amarrado ao mastro e ordenar à tripulação tapar os ouvidos com cera para não escutarem o canto das sereias. As mais extensas referências a elas são as da Odisséia, as da Argonáutica, de Apolônio de Rodes. A mais antiga é a da Odisséia. Seu número variava. Viviam em uma ilha do Mediterrâneo, em algum lugar do Mar Tirreno, cercada de rochas e recifes ou nos rochedos entre a ilha de Capri e a costa da Itália.
A sedução provocada pelas sereias era através do canto. Os marinheiros que eram atraídos pelo seu canto e se aproximavam o bastante para ouvir seu belíssimo som, descuidavam-se e naufragavam. Em geral são consideradas filhas do deus rio Aqueloo e da musa Melpômene ou de Terpsícore. Homero afirmou que elas podiam prever o futuro, o que condiz com divindades nascidas de Gaia. Há muitos mitos na Grécia Antiga sobre sereias, alguns dizem que elas seriam mulheres que ofenderam a Deusa Afrodite (deusa da beleza e do amor) e como castigo foram viver em um ilha isolada. Em outros conta-se que elas eram ex-companheiras de Perséfone, filha de Zeus e Deméter, que foi raptada por Hades, Deus dos Infernos. Segundo a lenda, as sereias devem sua aparência a Deméter, que as castigou por terem sido negligentes ao cuidarem de sua filha As sereias eram representadas como grandes pássaros com cabeça e busto de mulher. Podemos encontrar sua figura presente em frisos, monumentos fúnebres, vasos da arte grega, estatuetas, jóias e outras obras. As sereias representam na cultura contemporânea o sexo e a sensualidade. Em nossos dias, utiliza-se ainda a expressão "canto da sereia" que designa algo que tem grande poder de atração em que as pessoas caem sem resistência. Na literatura moderna, as sereias inspiraram muito poemas e numerosas obras, como O Silêncio das Sereias, de Kafka (1917), A história da sereia, de E.M. Forster (1947), As sereias de Titã, de Kurt Vonnegut (1959), entre muitas outras.
A Religião nórdica (também chamado de Paganismo nórdico) é o termo utilizado para descrever o sistema de crenças comuns aos povos que habitavam muitos dos países nórdicos antes e durante a cristianização da Europa do Norte, num período histórico conhecido como Era Viquingue. A religião nórdica é um subconjunto do mitologia germânica, praticado nas terras habitadas por estas tribos germânicas em toda a Europa Central e Setentrional. O conhecimento atual do paganismo nórdico foi em sua maior parte adquirido através dos estudos dos indícios arqueológicos, etimológicos, e dos poucos materiais escritos do período.
Como a tradição textual naquela região só se iniciou com a cristianização, é difícil uma compreensão total da forma original da religião, contando-se apenas com o filtro da transmissão oral. Podem-se encontrar, portanto, diversas associações com outras mitologias - como a que costumeiramente é feita entre as nornas e as parcas, personagens da mitologia romana. As histórias narradas pelas Eddas, por exemplo, são episódios concebidos de maneira literária, com deuses nos seus papéis principais; representam, nas palavras do germanista e cientista religiosoJan de Vries, mais "especulação e imaginação poética" do que necessariamente representação da consciência coletiva.
O paganismo nórdico, além de ser politeísta, acredita-se fortemente na presença de diversos seres sobrenaturais que habitam os mais diversos lugares, desde florestas, montes, lares e outras moradas ao longo dos mundos, como os Álfar (elfos), os Dvergar (Anões) e os Jötnar (gigantes), entre outros. Sua antiga ritualística se concentrava fortemente na prática ritual, com reis e chefes desempenhando um papel central na realização de atos públicos de sacrifício. Vários espaços cúlticos foram utilizados; inicialmente, espaços ao ar livre como bosques e lagos eram tipicamente selecionados, mas no terceiro século (EC) as casas de culto eram também construídas propositadamente para atividades rituais. A sociedade nórdica também continha praticantes de Seiðr, uma forma de feitiçaria que alguns estudiosos descrevem como xamanística. Várias formas de ritos funerários foram conduzidas, incluindo tanto a inumação quanto a cremação, geralmente acompanhadas por uma variedade de bens da sepultura.
Geograficamente estas tradições se estenderam do norte da Noruega até a Europa Central; porém enquanto alguns destes cultos foram disseminados por todo este território, outros parecem ter sido extremamente localizados, restringindo-se a determinadas áreas. Não existe qualquer topografia dos cultos ou história regional religiosa compilada a partir dos dados disponíveis, e qualquer generalização abrangente que envolva apenas alguns locais de culto em particular deve ser vista com alguma cautela.
Alguns estudiosos, como Georges Dumézil, sugerem que diversos elementos estruturais e temáticos dentro das ideias religiosas manifestadamente nórdicas encaixariam o paganismo nórdico dentro da estrutura básica da expressão pan-indo-européia das ideias espirituais como um todo.
Introdução
Áreas principais que historicamente abrigaram populações de cultura, idioma e religião germânicas.Ritos, festivais e práticas Ética, crenças e outros caminhos
Heathenry (Paganismo Germânico)
Heathenry, que pode ser traduzido em português como “paganismo germânico” é um termo usado para descrever as práticas religiosas de dois grupos principais de pessoas, um histórico e um moderno.
Os pagãos germânicos originais eram os povos pré-cristãos do norte europeu que viveram há mil ou mais anos nas terras em torno do que agora é chamado Mar do Norte. Estes incluíram os povos da Inglaterra anglo-saxã, da Escandinávia, da Alemanha, da Frisia (Friesland), e tardiamente também da Islândia.
Os grupos pagãos germânicos modernos, também chamados de heathens, em todo o mundo estão revivendo essas velhas práticas e chamam suas religiões por vários nomes, incluindo Ásatrú, Tradição do Norte, Odinismo, Forn Sed, Reconstrucionismo Pagão Germânico ou, simplesmente, Heathenry. É válido destacar que esses termos não são aleatórios e intercambiáveis, representando na verdade diversos movimentos com ideias e propósitos diferentes, que têm em comum o antigo paganismo dos povos germânicos como fonte, e dificilmente muito mais do que isso. Na Islândia, que não se converteu ao cristianismo até o século XI, o Heathenry voltou a se tornar uma religião oficial (nacionalmente reconhecida), bem como na Suécia e Dinamarca.
Os heathens trabalham para construir relacionamentos saudáveis com deuses e deusas, antepassados, espíritos da terra e outros em suas comunidades, tanto por meio de ritos sagrados como por meio de suas ações diárias.
Fontes
Existem fontes literárias que nos dizem como o Heathenry foi praticado antes do advento do cristianismo. As principais fontes incluem as Eddas e Sagas da Islândia medieval, a poesia anglo-saxônica, as obras do monge inglês do século VIII, São Beda, e a “Germânia” pelo historiador romano Tácito. Nenhuma delas possui caráter autoritativo, como uma Bíblia ou texto canônico, todavia.
Embora a maioria delas tenha sido escrita nos tempos cristãos, essas fontes registram as crenças e práticas religiosas de uma cultura que existia antes do cristianismo chegar ao norte da Europa. A evidência arqueológica continua a ser descoberta que apoia esta imagem da religião pagã obtida a partir de literatura clássica e medieval.
Existem ainda diversos estudiosos contemporâneos que analisam esses textos antigos e ajudam a clarificar o que de fato era essa religião, até quanto possível, fazendo crítica das fontes, destacando o que pode ser influência cristã e tardia, tais como Hilda Roderick Ellis, Gabriel Turville-Petre, Terry Gunnell, John Lindow, dentre vários outros, além do brasileiro Johnni Langer e seu núcleo de estudos (NEVE).
Outros autores, restritos à religião e com menos reconhecimento acadêmico são bastante influentes, embora suas obras nem sempre possam ser verificadas historicamente.
Paralelamente às fontes históricas, os modernos Heathens experimentam a sua própria experiência pessoal, a compreensão de sua religião vivida hoje, e seu próprio relacionamento com seus ancestrais, deuses e vaetts da casa e da terra.
Deuses e outros seres
O Heathenry, como todas as antigas religiões pagãs europeias, é politeísta e reconhece um grande número de deuses e outras entidades espirituais. Embora os deuses pagãos sejam mais conhecidos pela mitologia nórdica (e muitas vezes chamados por versões anglicizadas de seus nomes em nórdico antigo), eles foram homenageados por muitos povos fora da Escandinávia. Por exemplo, o deus conhecido pelas primeiras tribos germânicas como *Wodanaz (o asterisco indica que o nome foi reconstruído por comparação, e não atestado em forma escrita) tornou-se Óðinn no nórdico antigo, Wóden em inglês antigo (anglo-saxão) e em saxão antigo, Wuotan no alto-alemão antigo, o qual é divindade chamada de Odin na atualidade. Alguns dos mais conhecidos deuses heathens estão consagrados nos dias da semana em países que falam idiomas germânicos. Tuesday (terça-feira) é nomeado após Tiw (Týr), Wednesday (quarta-feira) após Wóden (Odin), Thursday (quinta-feira) após Thunor (Thor) e Friday (sexta-feira) após a deusa Frige (Frigg-Freyja).
Além dos “deuses maiores” mais conhecidos, os nomes de vários deuses locais ou tribais são conhecidos através da literatura medieval, genealogias, inscrições rúnicas e pedras votivas, tais como Seaxnéat, Gautr, Francus, Baduhenna e o culto celto-germânico das matronae. A maioria dos heathens escolheu honrar ativamente um subconjunto de deuses com quem desenvolveram relacionamentos pessoais, embora as oferendas também sejam muitas vezes feitas “a todos os deuses e deusas”. Os pagãos se relacionam com seus deuses como personalidades complexas as quais cada uma tem muitos atributos e talentos diferentes. Por exemplo, enquanto que Thor é popularmente conhecido fora dos círculos pagãos como o poderoso Deus do Trovão, na poesia das Eddas, ele é chamado por nomes como Pensador Profundo, Aquele que Deseja Bem aos Homens e Thor Consagrador, revelando um lado mais gentil para sua natureza.
Além dos deuses, os heathens reconhecem e se relacionam com uma grande variedade de seres espirituais ou ‘vaetts’. Estes incluem as Norns – que são três entidades femininas que tecem a teia da wyrd – e as Dísir – que são espíritos ancestrais femininos ligados a uma tribo, família ou indivíduo. Heathens também relacioname-se com o “povo escondido”, como elfos, brownies, anões e etins (gigantes e outras pessoas não tão agradáveis). Eles interagem com os vaetts da casa que vivem em seus lares e os vaettir da terra que ocupam características da paisagem, como árvores, pedras, córregos, montanhas, florestas ou campos. Ter um relacionamento com os vaetts da terra é uma característica importante da religião heathen, e os rituais pagãos ao ar livre não serão realizados até que a permissão desses vaetts da terra seja procurada e obtida.
Outra característica da religião heathen é o respeito dado aos antepassados em geral. Estes podem ser os antepassados literais de uma pessoa, seus avós, tios, pais, etc., ou podem ser pessoas agora mortas que as inspiraram de alguma maneira, tais como heróis lendários ou pessoas que fizeram feitos admirados durante a vida. A esses antepassados podem ser feitos altares no lar com suas fotos e pertences, deixadas oferendas do que eles gostavam em vida, seus atos podem ser cantados em reuniões e outras mídias atuais, e seu culto não tem menos importância que o dos deuses ou vaetts.
Os deuses nórdicos na história
Carolyne Larrington, tutora em inglês medieval no St. John’s College, Oxford; Heather O’Donoghue, Vigfusson Rausing, leitor de literatura islandesa antiga no Departamento de inglês da Universidade de Oxford e John Hines, professor de arqueologia da Universidade de Cardiff, discutem o papel da teologia e dos deuses na vida cotidiana dos nórdicos da era viking.
Estrutura
Não existem autoridades centrais no Heathenry e nenhuma organização única à qual todos os heathens pertencem, embora existam organizações nacionais e internacionais criadas para facilitar a ligação em rede entre Heathens. Não há um sacerdócio amplamente reconhecido, embora às vezes os indivíduos possam ser reconhecidos como godhis e gydhjas (sacerdotes e sacerdotisas) dentro de suas próprias comunidades.
Muitos heathens pertencem a pequenos grupos constituídos por amigos e membros da família Heathen. Esses grupos às vezes são chamados de “lares” (hearths) ou “kindreds” e se reúnem para rituais religiosos nas casas dos membros ou em espaços ao ar livre. Alguns hearths e famílias têm líderes reconhecidos. Outros são inteiramente igualitários.
Ritos e celebrações caseiros
A base da religião pagã é o culto do lar ou hearth. Em torno do fogo os humanos viveram a maior parte da sua história e ainda hoje ele é de função essencial na vida cotidiana. A lareira era um espaço sagrado, por propiciar a preparação da alimentação, proteção do frio, e espaço para reunião social. Em torno da lareira também ocorriam diversos ritos do lar, centrados nos deuses cultuados internamente pela família. Hoje muitas casas não possuem lareira, mas os heathens sempre que possível valorizam a manutenção de uma chama acesa ritualmente junto ao fogão onde ela foi acesa, onde podem deixar as ofertas para o vaett da casa e vaetts bem-vindos.
As ofertas também podem ser deixadas em um espaço no quintal ou terreiro ou ainda em locais com árvores como parques, e em geral consistem alimentos e bebidas, algo que se desfaça facilmente e não gere poluição.
As ofertas são uma forma de agradecer cotidianamente ao vaett do lar, deuses familiares, ancestrais, vaetts da terra que rodeiam a comunidade humana, pelo auxílio que eles dão ou uma forma de evitar problemas com esses seres. Consiste na forma mais básica de engajamento espiritual de um heathen ou hearth com esses seres que os heathens acreditam influenciar a vida humana cotidianamente, pra bem ou pro mal, a depender da forma como são tratados.
Ritos e celebrações públicos
Os principais ritos celebrados publicamente no Heathenry são chamados de blot e symbel. Grupos e indivíduos pagãos realizam festas e celebrações baseadas em torno do blot e symbel em ritos de passagem (como casamentos ou nomes de bebês), festivais sazonais, juramentos, ritos em homenagem a um deus ou deuses em particular e ritos de necessidade (em que deuses são solicitados para ajuda).
Um blot foi originalmente o sacrifício ritual de um animal para um ou mais deuses, elfos ou ancestrais. Uma festa seguiu depois em que a carne foi compartilhada entre os participantes. Blots foram realizados para honrar os deuses ou para ganhar seu favor para fins específicos como paz, vitória ou bom tempo de navegação.
Um blot moderno geralmente centra-se na oferta de comida ou bebida (comumente hidromel) aos ancestrais, vaetts ou deuses e tende a ser seguido por uma festa. Pode ser um rito simples ou um mais elaborado dependendo da finalidade do blot e do número de participantes. Em um blot interno onde a comida é oferecida, é comum colocar um lugar para o deus, ancestral ou elfo na mesa. Em um blot externo, as ofertas são muitas vezes jogadas no fogo. Sacríficios animais podem ocorrer dependendo da comunidade, mas a maioria dos grupos baniu essas práticas.
Symbel é uma cerimônia ritual de beber em que um ou mais chifres de beber ou outro tipo de copo ou taça são preenchidos com hidromel (ou outra bebida apropriada) e usados para brindar, fazer discursos ou juramentos. É comum que os Heathens modernos passem o(s) chifre(s) adiante para todos os que participam depois que o líquido é abençoado. A primeira rodada de bebida pode ser para os deuses, a segunda rodada para vaetts ou antepassados, e a terceira rodada pode ser para qualquer outra coisa que os Heathens reunidos desejem brindar. Pode haver muitas rodadas mais, ou o symbel pode parar depois de um número designado. Uma libação separada (oferta de bebida) pode ser dada aos deuses, aos vaetts da terra ou ao vaett do lar, ou alguns dos conteúdos do chifre podem ser derramados como uma oferta para eles.
Além de grandes ofertas aos deuses ou elfos, os heathens gostam de deixar presentes para seu povo escondido doméstico: os vaetts que vivem em seu jardim e casa. Para este propósito, muitos heathens mantêm uma tigela especial para deixar ofertas na casa de bolos e cerveja, ou podem deixar comida ou bebida em um pequeno altar de jardim ou perto dele.
Festivais
Diferentes comunidades e indivíduos heathens celebram diferentes ciclos de festivais sazonais com base em suas afiliações culturais, tradições locais e relacionamentos com deuses particulares. Não existe um calendário fixo das datas dos festivais heathens. Os três festivais heathens mais comumente celebrados são Noites de Inverno – geralmente celebrado em abril, Yule – um festival de doze dias que começa em torno do tempo do solstício de inverno e um festival para a deusa anglo-saxônica Eostre na primavera. As datas das comemorações são diferentes no hemisfério sul e no norte, uma vez que os eventos astronômicos e sazonais acontecem de maneira invertida.
Magia e visão do futuro
A magia e a vidência do futuro foram praticadas por alguns indivíduos dentro das antigas culturas heathens, e este também é o caso da comunidade heathen de hoje.
Algumas práticas mágicas do norte da Europa, revividas por Heathens, incluem a gravação de runas em talismãs e o canto de feitiços chamado galdor. Alguns Heathens também estão redescobrindo as práticas similares ao xamanismo do norte da Europa conhecidas como seidh. Em um ritual chamado ‘seidh oracular’, uma vidente ou adivinhadora responde perguntas ou dá conselhos aos participantes. Muitos Heathens modernos também praticam adivinhação rúnica, embora ela seja algo inventado na década de 80.
Embora a magia fosse parte da antiga cultura pagã, não fazia parte dos rituais religiosos do blot e do symbel. Portanto, não é visto como uma parte intrínseca da religião. Embora todos os heathens compartilhem uma crença na capacidade dos deuses de promulgar mudanças no mundo, nem todos acreditam na habilidade dos magos de fazê-lo. Em todo o caso, mesmo as divindades não são onipotentes e oniscientes, estando submetidas aos desígnios da wyrd.
Wyrd
Um dos conceitos centrais no Heathenry é a wyrd, a teia que conecta tudo no universo ao longo do espaço e do tempo. Os heathens acreditam que todas as suas ações podem ter consequências de longo alcance através da teia da wyrd. Eles entendem quem eles são, onde estão e o que estão fazendo hoje é dependente das ações que eles e outros tomaram no passado, e que todas as escolhas que eles fazem no presente se baseiam nas que eles fizeram anteriormente.
Com uma compreensão de wyrd vem uma grande responsabilidade. Se sabemos que todas as ações que tomamos (ou não conseguimos tomar) terão implicações para nossas próprias escolhas futuras e para as futuras escolhas dos outros, temos a obrigação ética de pensar cuidadosamente sobre as possíveis consequências de tudo o que fazemos. Assim, uma das principais éticas do Heathenry é a de assumir a responsabilidade pelas próprias ações, sumarizada no ditado “nós somos os nossos atos”.
Fridh, valores e círculos tribais
Outra ideia central do Heathenry é a fridh, a manutenção da paz e da amizade dentro de um grupo social. Fridh é um laço que existe entre parentes de sangue ou juramentados, como um acordo de mútua proteção, irmandade sob toda e qualquer condição. As obrigações para com amigos, parentes e comunidades são levadas a sério pelos heathens.
A fridh cria dois grupos distintos: um, o innangardh, “círculo interno”, que compreende as pessoas com as quais um heathen tem laços de fridh, e o útangardh, o mundo externo que não está sob o laço de fridh e portanto não compartilha mesmos ritos, valores e costumes que o innangardh, e portanto não pertence às preocupações imediatas do heathen. Assim, uma fraternidade universal baseada na religião, como vista no cristianismo, não é uma ideia heathen.
Como muitos povos que vivem distantes em um clima severo, os heathens pré-cristãos colocam grande ênfase na hospitalidade, e isso ainda é valorizado pelos modernos Heathens. Um conceito relacionado é o ciclo de presentes, embora tanto a doação de presentes como a hospitalidade sejam limitadas pela reciprocidade, um princípio que os heathens consideram extremamente importante.
Através dos presentes, da manutenção da fridh e de atos valorosos os heathens conseguem reputação e maegen, que é uma força pessoal, tanto mágica quanto política, a qual altera a sorte pessoal e grupal. A sorte em si é vista como uma característica nada aleatória, mas inata, e essencial para todo e qualquer humano.
Como colocam muito valor na personalidade coletiva em vez da individual, a honra heathen é baseada na manutenção da fridh, em qualquer caso. Nos tempos antigos, para manter a honra era necessário que nenhum ato permanecesse impune, pois ferir um membro do grupo era um injúria para todos, o que podia acarretar longos feudos de sangue, os quais, todavia, podiam ser resolvidos com um wergild, uma espécie de compensação financeira por algum ato prejudicial, evitando assim o derramamento de sangue.
Nos dias atuais feudos de sangue não acontecem mais, mas a honra continua tendo o mesmo sentido, enquanto virtude coletiva e que implica na proteção e ajuda-mútua dentro de um grupo, para a manutenção da fridh.
A linguagem simples, a honestidade e a franqueza também são importantes para os pagãos. Isso pode ser visto como parte de um sistema de valores baseado no valor pessoal, que evita engano e desonestidade para os membros do grupo social. Assim, os Heathens atribuem grande valor ao dar a palavra, e qualquer forma de juramento é levada extremamente a sério. Isso muitas vezes significa que heathens não assinariam seus nomes em algo, a menos que eles possam concordar com isso em letra e espírito.
Théaw é o nome que se dá ao conjunto de valores éticos, costumes religiosos e visão de mundo de um determinado innangardh. Cada grupo tem o seu théaw, embora entre os heathens eles sejam assemelhados e compartilhem vários pontos em comum. O théaw representa o conjunto de metas éticas, ações e comportamento esperado, bem como normas sociais e religiosas.
Espírito e vida após a morte
O Heathenry está focado na vida correta no aqui e agora e não coloca tanta ênfase na vida após a morte quanto outras religiões. Enquanto Valhalla – o salão de Odin – é popularmente visto como o equivalente nórdico ao céu, isso é um equívoco. De acordo com a mitologia registrada nas Eddas, Valhalla é apenas para guerreiros que morrem em batalha. Além disso, a metade desses guerreiros assassinados em batalha vão ao salão de Freyja e só então a metade final para o salão de Odin. Aqueles que se afogam no mar vão para o salão da deusa Ran. As pessoas que morrem de causas naturais vão para o salão da deusa Hel.
A maioria dos Heathens de hoje vê Hel como um lugar neutro onde eles serão reunidos com seus ancestrais, muito possivelmente sendo equivalente ao próprio solo onde os mortos são depositados, sendo esse o destino mais provável da maioria dos mortos.
As fontes não permitem uma reconstrução completa das visões escandinavas e anglo-saxãs pré-cristãs da alma. A ideia básica é que, diferente do cristianismo, não existia um conceito de alma unificado, mas composto de vários espíritos e seres quase que independentes entre si. Um conceito, no entanto, que ainda é mantido em histórias populares, é o da seguidora ou fylgia, a qual possuía uma forma animal. A fylgia foi pensada como sendo uma parte da pessoa que pode ser contatada durante a vida, mas que não seria fisicamente vista até pouco antes da morte. Ver a própria fylgia foi, de fato, um sinal do fim da própria vida.
Além disso havia a aettarfylgia, uma ancestral feminina que se ligava a um humano quando este nascia e o acompanhava até o fim de sua vida. O poder pessoal podia ser aumentado quanto mais aettarfylgias cada pessoa tivesse.
Hugr e munr seriam respectivamente memória e pensamento, e o próprio corpo material era também visto como parte da alma heathen.
Não existem relatos seguros sobre reencarnação, e não há nada que aponte para qualquer forma de evolução espiritual com vidas sucessivas através das fontes antigas. Alguns heathens modernos acreditam na continuação de parte (uma vez que a alma não era unificada) de uma pessoa através da reencarnação, enquanto outros não.
Heathenry e outras espiritualidades pagãs
Heathenry é uma religião viva baseada em fontes literárias, acadêmicas e arqueológicas para as práticas religiosas de uma cultura particular pré-cristã e estendida pelas relações dos pagãos modernos com seus ancestrais, deuses e espíritos locais além da comunidade humana ou innangardh ao seu redor. Difere da Wicca e de outros caminhos pagãos não reconstrucionistas do século XXI de vários modos. Talvez a principal diferença seja que os pagãos são “politeístas rigorosos”: eles honram um grande número de deuses individuais, deusas e outros seres espirituais que vêem como existentes independentemente dos humanos, embora comumente os vejam como manifestação consciente de eventos e elementos naturais, em harmonia com uma visão animista. E em comum com muitas religiões indígenas em todo o mundo, eles também honram seus antepassados.
Os heathens diferem dos wiccanos e muitos dos outros pagãos não reconstrucionistas modernos de muitas outras maneiras. Eles rejeitam o conceito de que todas as deusas são aspectos da “Deusa” e que todos os deuses são aspectos de seu consorte. Eles também rejeitam o conceito junguiano de deuses e deusas como arquétipos na mente inconsciente. Os festividades pagãs não seguem a “Roda dos Oito Festivais” baseada em solstícios e equinócios. Seus rituais não envolvem “círculos de magia” (casting circles) ou “quartos de invocação” (calling quarters).
A magia, da forma que é vista na Wicca, não é uma parte essencial ou central do Heathenry, e a maioria dos heathens não se consideram “bruxos” ou “bruxas”. A magia é uma parte natural da vida cotidiana e não carrega conotações fantásticas comuns em filmes de fantasia. Não há “graus de iniciação” dentro da religião heathen e nem “sumo-sacerdotes” ou “sumo-sacerdotisas”.
Apesar destas diferenças teológicas, muitos heathens estão envolvidos na comunidade pagã mais ampla por razões sociais e políticas.